Aviso
A Procura
Não foi por vocação que ele se tornou caixeiro-viajante. Escolheu esta profissão porque assim poderia ir de casa em casa, de cidade em cidade, de estado em estado, enfim, percorrer todo o país à procura de sua noiva que fugira com outro, para onde ninguém sabia.
Os anos passaram. Ele gastou muita sola de sapato, percorrendo tantas cidades, batendo tantas portas, que até perdera a conta. Envelhecera. Sentia-se cansado e sabia que a ex-noiva (já admitia ser ela ex) devia ter mudado muito, mas ele tinha certeza de que a reconheceria, mesmo depois de tanto tempo.
— Mãe, tem um moço aqui perguntando se a senhora quer comprar toalha de mesa — gritou a filha para o interior da casa, de onde a mãe respondeu, também aos berros.
— Não quero nada não. E eu não gosto de conversar com vendedores ambulantes não, porque com eles eu sempre passo pelas forcas caudinas.
— Passar pelas forcas caudinas! — o caixeiro-viajante repetiu atônito. Tirando alguns acadêmicos, apenas a sua ex-noiva usava esta expressão. Sim, só podia ser ela. Arriscou com voz insegura, chamando para o interior da casa:
— Marilda...
E aquela que foi sua noiva um dia, apareceu, vinda da cozinha.
— Marilda, sou eu, Lauro...
Sentaram-se. Ele contou de todas as solas de sapatos gastas, e de todas as portas que bateu à sua procura. Ela contou que tinha 6 filhos e um marido silencioso, contou que não lia mais, e que ia ser avó. Ele sentiu que tinha perdido o seu romantismo e seu amor em alguma rua de alguma cidade ou dentro de um dos tantos ônibus em que viajou. E sentiu-se estúpido. Despediu-se dela apressadamente e foi embora com sua mala.
— Quem era aquele homem? — quis saber a filha.
— Meu primeiro namorado. Fomos noivos. Abandonei-o para casar com seu pai. Ele percorreu mais de duas mil cidades me procurando.
— Pra quê?
— Pra me vender toalha de mesa — respondeu a mãe voltando pra cozinha.
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Cartuns para cinéfilos (25)
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A PROFESSORA DE VIOLINO
A professora de violino não era bonita, deveria ter 40 anos e eu era um de seus poucos alunos naquele ano. Ela dava aulas a domicílio e morava com uma tia idosa chamada dona Ana. A senhora morreu, os primos que moravam na capital iam vender a casa, por isso ela ia nos deixar. A cidade resolveu dar uma festa de despedida pra professora de violino. À tarde ela foi até minha casa para a última aula. Chegou mais cedo e eu tomava banho. Pela porta entreaberta ela me via nu sob o chuveiro e se masturbava com o arco do violino. Fingi não perceber. Mas durante a aula senti o cheiro de sua vagina nas cordas do arco. À noite, na festa, ela tocou uma peça no violino. Todos os homens ficaram excitados e tiveram ereções. Até o padre, que saiu no meio do número. Os homens da cidade quando dizem “hoje vai ter Beethoven” é que vão transar com suas mulheres.
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