Aviso
O ROUBO
A cidade de Nife é uma cidade pequena, de uns 20 mil habitantes. Foi nessa cidade que aconteceu um roubo que foi facilmente desvendado pelo delegado Zé Marrom.
Houve uma invasão na casa da rica viúva dona Catarina Albuquerque Rondonelli. O ladrão entrara na casa na ausência da proprietária e roubara o seu colar de esmeraldas. Quem fez isso foi descuidado ao deixar um livro bem ensebado no quarto, sobre a cômoda, de onde tirara a jóia. O livro era “As 1001 noites”. O delegado folheou o livro e viu um trecho marcado, leu e disse para a viúva.
– Já sei quem pegou o seu colar de esmeraldas, dona Catarina. Foi o Doidinho.
– Doidinho não é o filho da dona Ninita? Aquele que era inteligentíssimo e ficou doido de tanto ler e estudar?
– Esse mesmo. É o maluco folclórico da cidade há uns 30 anos, desde quando largou a faculdade de Letras na capital e veio morar com a mãe. Quem mais na cidade carrega um livro pra lá e pra cá o dia inteiro?
Na casa do Doidinho sua mãe, muito idosa, disse não acreditar que ele era o ladrão, mas deixou o delegado e dona Catarina falar com o filho. O delegado mostrou o livro pra ele.
– O livro é meu – disse Doidinho: – Os livros ensinam a gente muita coisa. Resolvem nossos problemas.
– Você está com um problema e roubou o colar, não é isso?
Dona Catarina, ainda sem entender, perguntou:
– Delegado, o que tem nesse livro que fez com que o Doidinho roubasse meu colar?
O delegado leu o trecho marcado:
– As 1001 noites. Noite 272. Abre aspas. “... a pedra de esmeralda, cuja cor, como se sabe, é a verde, e cujas propriedades escondidas são indescritíveis e autênticas, pois serena as tempestades, mantém a castidade de seu portador, afugenta a disenteria e os maus espíritos, decide favoravelmente um litígio e é de grande socorro nos partos”. Fecha aspas.
– Quer dizer que esse louco roubou meu colar de esmeraldas porque queria todos esses poderes que o livro diz?
– Ele só queria as pedras de esmeraldas para curar a disenteria.
Doidinho explicou que já havia tomado quatro das oito pedras, “de 4 em 4 horas”, como remédio. O delegado sentou-se e disse para a mãe do maluco:
– Dona Ninita, faz um café e traz o penico para o Doidinho. Nós vamos esperar.
PAPO DE ÍNDIO
Aristides ia de carro para o trabalho. Saía às 7 horas de casa e às 8 estava no trabalho. Já havia reparado que na parte da manhã ele não “funcionava”, suas atividades eram lentas e desastrosas, ele era hesitante e inseguro, não tinha iniciativa e era lento de raciocínio. Mas quando o relógio marcava 11 horas ele virava outro: era ágil, inteligente e bom de serviço. O exemplo mais claro era que, se um colega lhe contasse uma piada, por exemplo, às 9 horas ele só ia rir depois das 11. Ele era considerado o “esquisitão” do escritório.
Para a diretoria ele era avaliado como de médio a fraco. Aristides vivia tenso porque temia perder o emprego. Começou a se achar um retardado mental.
Um dia, no dentista, leu numa revista um fato curioso, mas que salvou sua vida e seu emprego.
Uma tribo de sioux foi convidada pra ir a Washington visitar o presidente dos Estados Unidos. Os indios chegaram de avião e não foram diretos para a Casa Branca, ficaram um mês no aeroporto. Os sioux ficaram sentados 30 dias no saguão do aeroporto esperando que seus espíritos chegassem, já que os espíritos não viajaram de avião.
“É isso que estava acontecendo comigo”. Pensou Aristides. “Eu chego ao trabalho às 8 e meus espíritos só aparecem 3 horas depois. Aristides passou a chegar no escritório às 5 horas da manhã e ficava esperando seu espírito chegar às 8; e, juntos, iam trabalhar super bem dispostos. Aristides foi promovido.
